O anti-torcedor
Não me levem a mal, mas eu não sou fanático por futebol. Torço pro Flamengo, sim, mas acho bom que ele esteja a caminho da segunda divisão. Também achei bom quando perdeu a Copa do Brasil para aquele time do interior de São Paulo; achei bom porque eu ainda morava no Rio, e até momentos antes daquele jogo, eu não sabia a imensa quantidade de péla-sacos que eram torcedores do Flamengo. Então, eu torci contra. E deu certo.
Eu morei em Belo Horizonte. Seis anos. As primeiras pessoas que conheci lá eram torcedoras do Cruzeiro, inclusive me levando ao primeiro jogo que fui no Mineirão, a final da Taça Libertadores de 1997, quando fiquei bêbado e bati o meu carro na saída. Taí, torcer pro Cruzeiro era divertido. Mas aí...
Aí me ensinaram que torcer contra o Atlético Mineiro era legal. Apitar, buzinar, xingar, imitar macaco quando se referir à torcida do Atlético, tudo isso parecia alegrar os cruzeirenses. Como nunca fui de grandes fanatismos, achava legal apenas ir assistir a alguns jogos na casa de alguns atleticanos e ver o time perder. Até passei a gostar um pouco mais de futebol por causa desta perspectiva, de ter alegria todo fim de semana.
Sim, porque torcer pelo Flamengo é (era) bom: são vários títulos brasileiros, a maior torcida do país. Pro Cruzeiro também é (era) legal: vários torneios sul-americanos, copas do Brasil. Mas depois de algum tempo, percebi que não há tanta graça em torcer a favor de um time de futebol quanto torcer contra um time de futebol. Eu por exemplo, torço contra o Atlético Mineiro. Por que esperar anos para comemorar um título durante dois dias, se você pode ter uma comemoração equivalente todo final de semana? Em vez de esperar 7 meses pela final de um campeonato, eu espero 7 dias até o próximo domingo. É o maior coeficiente de alegria / tempo que se pode alcançar.
Eu vou montar uma torcida. Ou melhor, uma anti-torcida. Vou confeccionar camisas, faixas, bandeiras e arrebanhar seguidores. Vou montar uma torcida anti-Atlético. Não entenda errado: não vai ser uma torcida do Flamengo, do Corinthians, do Cruzeiro, que nas horas vagas torce contra o Alético. Não estaremos nem aí para outras equipes. Não iremos ao jogos do Cruzeiro, nem do Flamengo, nem do Corinthians. Só iremos aos jogos do Atlético, e torcer para que ele perca. Ou que os jogadores se contundam. Ou que o juiz roube. Ou que caia um meteoro no campo. Nos clássicos Cruzeiro e Atlético, cruzeirenses, não contem com nosso apoio: o Mineirão terá que ser dividido em três: um espaço para a torcida azul, outra para a torcida do Galo, e outro para nós.
Teremos alegrias em todas as rodadas. Poderemos extrapolar, e montar um TIME anti-Atlético. Veja só: montamos um time apenas para entrar no campeonato e atrapalhar a vida do Galo. Vamos jogar a última rodada em Patos de Minas, contra o time local: se perdermos de 15 a 0, o Atlético cai pra segunda posição na tabela. Ótimo! Todo dano, mesmo menor, é um dano. Nossa torcida nos acompanhará até Patos de Minas, mas obviamente não torcerá por nós: nos vaiará se fizermos um gol,
levantarão gritos de alegria e júbilo a cada gol que sofrermos. Não é uma torcida a nosso favor, é uma torcida contra o Atlético, levada às últimas conseqüências.
Você torcedor do Atlético, não fique ofendido. A minha torcida será anti-Atlético apenas porque morei muito tempo em Minas. Mas também teria muito gosto em participar de uma torcida anti-Vasco, anti-Corinthians, até mesmo anti-Brasil, para esses campeonatinhos tipo a Copa das Confederações; é tudo uma questão de pragmatismo: porque esperar anos por um título torcendo a favor, se posso ter vários pequenos títulos torcendo contra?
Eu morei em Belo Horizonte. Seis anos. As primeiras pessoas que conheci lá eram torcedoras do Cruzeiro, inclusive me levando ao primeiro jogo que fui no Mineirão, a final da Taça Libertadores de 1997, quando fiquei bêbado e bati o meu carro na saída. Taí, torcer pro Cruzeiro era divertido. Mas aí...
Aí me ensinaram que torcer contra o Atlético Mineiro era legal. Apitar, buzinar, xingar, imitar macaco quando se referir à torcida do Atlético, tudo isso parecia alegrar os cruzeirenses. Como nunca fui de grandes fanatismos, achava legal apenas ir assistir a alguns jogos na casa de alguns atleticanos e ver o time perder. Até passei a gostar um pouco mais de futebol por causa desta perspectiva, de ter alegria todo fim de semana.
Sim, porque torcer pelo Flamengo é (era) bom: são vários títulos brasileiros, a maior torcida do país. Pro Cruzeiro também é (era) legal: vários torneios sul-americanos, copas do Brasil. Mas depois de algum tempo, percebi que não há tanta graça em torcer a favor de um time de futebol quanto torcer contra um time de futebol. Eu por exemplo, torço contra o Atlético Mineiro. Por que esperar anos para comemorar um título durante dois dias, se você pode ter uma comemoração equivalente todo final de semana? Em vez de esperar 7 meses pela final de um campeonato, eu espero 7 dias até o próximo domingo. É o maior coeficiente de alegria / tempo que se pode alcançar.
Eu vou montar uma torcida. Ou melhor, uma anti-torcida. Vou confeccionar camisas, faixas, bandeiras e arrebanhar seguidores. Vou montar uma torcida anti-Atlético. Não entenda errado: não vai ser uma torcida do Flamengo, do Corinthians, do Cruzeiro, que nas horas vagas torce contra o Alético. Não estaremos nem aí para outras equipes. Não iremos ao jogos do Cruzeiro, nem do Flamengo, nem do Corinthians. Só iremos aos jogos do Atlético, e torcer para que ele perca. Ou que os jogadores se contundam. Ou que o juiz roube. Ou que caia um meteoro no campo. Nos clássicos Cruzeiro e Atlético, cruzeirenses, não contem com nosso apoio: o Mineirão terá que ser dividido em três: um espaço para a torcida azul, outra para a torcida do Galo, e outro para nós.
Teremos alegrias em todas as rodadas. Poderemos extrapolar, e montar um TIME anti-Atlético. Veja só: montamos um time apenas para entrar no campeonato e atrapalhar a vida do Galo. Vamos jogar a última rodada em Patos de Minas, contra o time local: se perdermos de 15 a 0, o Atlético cai pra segunda posição na tabela. Ótimo! Todo dano, mesmo menor, é um dano. Nossa torcida nos acompanhará até Patos de Minas, mas obviamente não torcerá por nós: nos vaiará se fizermos um gol,
levantarão gritos de alegria e júbilo a cada gol que sofrermos. Não é uma torcida a nosso favor, é uma torcida contra o Atlético, levada às últimas conseqüências.
Você torcedor do Atlético, não fique ofendido. A minha torcida será anti-Atlético apenas porque morei muito tempo em Minas. Mas também teria muito gosto em participar de uma torcida anti-Vasco, anti-Corinthians, até mesmo anti-Brasil, para esses campeonatinhos tipo a Copa das Confederações; é tudo uma questão de pragmatismo: porque esperar anos por um título torcendo a favor, se posso ter vários pequenos títulos torcendo contra?



