Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005

Gadgets

Listinha da Mobile PC Magazine com os Top 100 Gadgets de todos os tempos.

Security glass

Taí uma campanha que não poderia ser feita no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro:

3M Security Glass


via 37 Signals

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

Porque eu sou brasileiro e não pago nunca!

Com a vivência adquirida em inúmeras mesas de inúmeros bares em inúmeras cidades (na verdade, mais precisamente em Belo Horizonte e especialmente no Rio), meus amigos e eu notamos que, na hora clássica e dolorosa de pagar a conta, algumas pessoas usam de truques bastante brasileiros (que são espertos e não desistem nunca) na tentativa desesperada de escapar da sangria no bolso. Tais truques são batizados com o nome do autor, transformado em verbo.

Obs.: O autor é identificado quando possível.

Buenar: O Bueno é aquele cara singular. Normalmente é gerente de TI, daqueles que falam pelos cotovelos e são amigos de todo mundo. Quando são convidados para um almoço ou chopp, são os primeiros a aceitar, e os últimos a sair da mesa. Se você não prestar atenção, acaba deixando o Bueno passar como um gente boa normal; por isso, você precisa prestar total atenção no detalhe que distingue um Bueno de um gente boa: RECLAMAÇÃO. Sim, um Bueno só é gente boa até cerca de 60% do chopp ou almoço estar completado. Após esse milestone, ele começa a reclamar do copo, do chopp, dos garçons, da mesa, do tiragosto, do chão, dos banheiros, até culminar com a reclamação fatal, coincidentemente na hora em que a conta chega: AGORA SÓ FALTA NÃO ACEITAR CARTÃO SOLLO NESTA ESPELUNCA! Se você deixou chegar nesse ponto, perdeu playboy, pois ele escapou de pagar, e você vai ter que dividir a parte dele com seus outros amigos. Como se defender: Para se livrar de uma Buenada, você tem que clonar a tática dele: assim que a conta chegar e ele reclamar da não-aceitação do cartão Sollo, você deve *imediatamente* sacar de sua carteira seu cartão mais chinfrim e gritar: NÃO É POSSÍVEL QUE TAMBÉM NÃO ACEITAM CARTÃO CARREFOUR!

Renatear: Renato é um cara discreto, não é do tipo "gosto de levar vantagem em tudo", mas vai tentar levar vantagem em alguma coisa pelo menos. Talvez a renateada seja a tática mais difícil de identificar, especialmente em mesas grandes onde você não ouve muito bem o que está acontecendo do outro lado. Ela consiste no seguinte: o Renato come, bebe, sem exagerar, pois afinal ele pretende de coração pagar a sua parte, e não quer encarecê-la. Conversa, conta piadas, é sociável. No entanto, quando percebe que todos estão satisfeitos, ele aplica a sua tática mortal: chama o garçom discretamente pede uma sobremesa, normalmente a mais cara, que obviamente será renateada entre todos, ou seja, ele conseguiu uma sobremesa por 1/(numero de comensais) do preço total. É a tática mais usada atualmente, por sua fácil aplicação e por se aproveitar geralmente de mesas grandes para seu uso.Como se defender: O renateamento é igual ao Golpe da Águia, do ilustre Karate Kid: se bem aplicado, não há defesa. A única solução é defenestrar a aplicação do golpe, valendo-se da seguinte tática: assim que você notar que está sendo vítima de um renateamento, comece a gritar: QUEM QUER SOBREMESA? EU VOU QUERER UMA TAMBÉM, PODE TRAZER PRA MIM! Não há como errar, pois mesmo se ninguém mais quiser sobremesa, a sua vai sair praticamente de graça também.

Leticiar: Letícias são doidas. Ponto. Nunca conheci uma Letícia que batesse bem da bola. Mas na hora de pagar a conta elas são bastante sãs, até demais, tanto que desenvolveram duas táticas diferentes para escapar: a leticiada a priori e a leticiada a posteriori. Na primeira, a leticiadora percebe que na mesa só há mãos-de-vaca na mesa, e imediatamente quando a conta chega, calcula sua parte (obviamente, menor do que deveria), joga o dinheiro na mesa, diz tchau para todos e VAZA. É rápido e mortal. Na segunda técnica de leticiar, a posteriori, ela percebe que só há gente mão aberta na mesa, então ela espera o máximo possível, até de preferência quando todos já colocaram suas partes na mesa, e então complementa o que restou (normalmente menos de R$10,00, embora elas tenham consumido R$35,00).Como se defender: Defender uma leticiada requer muito skill e atenção. Quando o golpe for a priori, deve-se ou jogar imediatamente na mesa a mesma quantidade de dinheiro, e além disso, vazar junto com a Letícia da vez (se conseguir ainda pegá-la na saída e dar uns beijos, isso conta como um combo counter attack + added bonus). Para defender uma leticiada a posteriori, você precisa usar uma danilada, descrita logo a seguir.

Danilar: Criado e continuamente desenvolvido por Danilo Medeiros, a danilada é um dos golpes mais sofisticados para não se pagar uma conta, inclusive requerendo um bom naco de habilidade manual e prestidigitação. Consiste em ser gente boa, beber e comer normalmente, pedir alguma coisa gay com alho poró, pedir aquela sobremesa, contar histórias das viagens para a Ásia, enfim, comportar-se quase que normalmente até a chegada da maldita. Com a conta na mesa, o Danilo é o primeiro a pegar a nota e fazer a divisão justa entre todos, requerendo que cada um deposite a sua parte sobre a mesa, parte esta que ele mesmo calculou. Vale ressaltar que uma danilada só funcionará se alguém for pagar com cartão de crédito, pois esta premissa é justamente o coração do golpe. Assim que todos depositam o dinheiro sobre a mesa, Danilo pega e dá uma mexida no bolo, como se estivesse depositando dinheiro mas na verdade está apenas remexendo nele (aqui é necessária uma habilidade manual digna de um mágico de rua). Em casos extremos de danilada, o aplicador poderá não só não pagar como RETIRAR dinheiro do bolo, portanto é bom ficar atento à defesa para não se estrepar. Como se defender: As regras são simples: 1) Não pague com cartão de crédito. 2) Se for pagar com cartão, VERIFIQUE o total na sua fatura! Se for R$69,20 em vez dos R$29,00 esperados, GRITE, pois você está sendo vítima de uma danilada. Isso fará com que o golpista dê aquele sorriso amarelo e se entregue: "Oh, foi mal, esqueci de pagar, quanto foi a minha parte?".

Danielar (ou Ceiozar, dependendo do estado): Criado e aplicado por Daniel Rocha (eu), tem sido usado com sucesso em 5 estados da federação: AL, AM, MG, RJ e SC. É um truque simples, rápido e mortal, com alta taxa de eficiência mas tem um defeito: não há sucesso parcial, é 8 ou 80. Consiste em contar continuamente histórias de assalto da família, justificando com estas a incrível mania de não andar com dinheiro no bolso, sob a desculpa de manter a segurança pessoal. O segredo está em mencionar que não se tem dinheiro algum apenas no momento da chegada da conta, NUNCA quando estão se dirigindo ao local. Assim que a conta chega, tira-se alegremente o cartão Visa Electron do bolso e pergunta: aqui aceita débito, não? Como o inventor só anda em bares de segunda categoria, a resposta muitas das vezes é "não", então os acompanhantes pagam e o Daniel da vez faz aquela cara de falso constrangimento enquanto diz "beleza, vou ali no banco tirar dinheiro e já pago vocês", o que é obviamente, mentira. Como se defender: Só leve pessoas que aplicam a danielada em lugares que aceitam débito automático. Isso defende o golpe primário, mas vocês precisam ficar muito atentos à tentativa de combo attack: quando acuado por um estabelecimento que aceita Visa Electron, Daniel poderá tirar o dinheiro da carteira em notas de R$100,00, e pedir a você que pague pois ele não tem dinheiro trocado. Há duas saídas para esta variante: andar com dinheiro trocado e matar as chances do golpista, ou desferir um golpe mais dolorido: "Beleza, então você paga pra mim que depois eu te reembolso". Isto costuma deixar um Daniel muito, muito mau-humorado.

Claudiar: Inventado por Claudio Salvio, designer belorizontino, é o famoso golpe do "não vou beber hoje". Ele senta com você (sabendo que você e seus amigos são mãos abertas, apesar de pobres), toma um ou dois copos de cerveja. Logo após o segundo copo, toda vez que você tenta completar o copo de cerveja do rapaz, ele põe a mão em cima e fala "não,não,não,não,não,não", como se já tivesse parado de beber. Aí você, gente boa, fala "argh, que nada", e ele libera o copo para completar o tanque. Na hora em que a conta chega, ele continua contando histórias engraçadas sobre clubes de futebol ou sua faculdade de Artes Plásticas, enquanto os outros pagam a conta sozinhos. Como se defender: Não há necessidade de defesa contra uma claudiada, pois normalmente o total do prejuízo é pequeno e vale a companhia.

Quinta-feira, Fevereiro 10, 2005

Back to business

Depois de uma viagem rápida a Belo Horizonte, com escalas em Brasília e Diamantina ("Eu sou o homem-aranha, vejam!"), voltei a Manaus, com direito a uma releitura de O hobbit dentro do avião, que só confirmou a admiração que eu tenho por este livro e por seu autor. Pensei até em nomear uma das máquinas da rede com seu nome, mas aí decidi que seria muito nerd e desisti.

Por falar em avião, cada vez que eu volto a Manaus fico admirado com a quantidade absurda de chineses que lota os vôos, com suas feições esquisitas, suas camisas Polo "Zhang" Ralph Lauren e Tommy "Zedong" Hilfiger e sua língua indecifrável. O vovô que sentou ao meu lado se parecia muito com um daqueles velhos sábios chineses que conhecemos em filmes de Hollywood como o campeão da Sessão da Tarde, Big Trouble in Little China. Entretando, assim que chegou a hora do jantar e ele pediu um guaraná para beber, estava claro que era apenas um velho de aparência estranha, pois nenhum sábio chinês que se preze toma guaraná, e sim alguma infusão de estômago de cobra com orelhas de morcego e bílis de macaco. Uma decepção.

Pensei também que seria divertido se eu soubesse a expressão em mandarim para "morram comunistas safados!" para gritar dentro do avião enquanto ameaçava explodi-lo. Da próxima vez eu saberei.