Quinta-feira, Dezembro 30, 2004

Abilio, o pensador

Alexandre Soares Silva desvenda os mistérios de Abilio Diniz, o filósofo:


* Então eu digo pra vocês: eu fiz Heidelberg, mas o que eu queria fazer mesmo era a escola da vida. Então eu larguei Heidelberg e fui fazer a escola da vida. Fui procurar o Dr. Antônio Ermírio que pra mim era o mestre disso tudo aí (da escola da vida). Ele me recebeu numa saleta e perguntou: "Abílio, você consegue quebrar isso?". E me deu um lápis, que eu quebrei. "Agora vê se você consegue quebrar isso", ele disse, e me deu uns quinze lápis, com aquele sorriso sabido dele. E eu fiquei com vergonha de dizer pra ele que aquele truque era muito manjado. Então a primeira coisa que eu queria passar pra vocês é isso, que velho só fala merda.

* Nietzsche disse "Aquilo que não me mata, só me fortalece". Mas nós do Pão de Açúcar resolvemos tirar isso à prova. Então um belo dia fechamos o supermercado e começamos a ver quantas coisas nem matavam nem fortaleciam. (...) Nenhum produto do setor de papelaria matava ou fortalecia, com exceção da tesoura e da cola, que podiam matar mas também não fortaleciam. Durex não mata nem fortalece, papel timbrado Tilibra não mata nem fortalece. É difícil matar com uma régua... (...) No setor de produtos de limpeza, fizemos um vendedor beber meio litro de pinho sol mas ele não morreu nem ficou mais forte (muito pelo contrário, até hoje não está muito bem). Essa frase do Nietzsche só se aplica ao setor de hortifrutigranjeiros e laticínios, e mais uns poucos produtos, do tipo bolacha Calipso. Então essa é a segunda coisa que eu queria passar pra vocês, que Nietzsche só fala merda.


Hilário!

Quarta-feira, Dezembro 29, 2004

Diversão

Divertido mesmo é ler o blog do Gerald Thomas. Uma das figuras mais ridículas da já pobre cultura nacional, ele dá mostras de seu gigantesco ego com um português horrível ("ela era minha amissíssima"), é perseguido por hackers e constantemente achincalhado nos comentários; pior do que isso, fica irado pelas críticas e não consegue responder com nada mais inteligente do que "get a life" ou "vai tomar no cu". Outro ponto alto é o tanto que ele fala mal dos Estados Unidos, dos americanos, da cultura americana, das cidades americanas, mas mora em Nova York.

Hilário, hilário.

Sábado, Dezembro 25, 2004

Silent Night, Holy Night

Durante a Primeira Guerra Mundial, no inverno de 1914, nos campos de batalha dos Flandres belgas, um dos eventos mais marcantes da história da humanidade aconteceu. Os alemães tinham lutado duras batalhas contra os ingleses e franceses. Ambos os lados estavam enterrados em trincheiras sujas, lamacentas que pareciam se estender sem limites.

De repente, os soldados alemães começaram a colocar pequenas árvores de Natal, decoradas com velas, no parapeito de suas trincheiras. Então começaram a cantar canções de Natal. Do outro lado do campo, na "terra de ninguém" entre eles, vieram canções dos ingleses e franceses. Incrivelmente, muitos dos alemães, que haviam trabalhado na Inglaterra antes da guerra, falavam um inglês suficientemente bom para propor uma trégua de Natal.

Os soldados ingleses e franceses, em toda a extensão das trincheiras, aceitaram. Em alguns lugares, as tropas aliadas atiraram nos alemães quando eles saíram de suas trincheiras. Mas os alemães eram persistentes e o Natal seria celebrado mesmo sob a ameaça da morte imediata.


De acordo com Stanley Weintraub, que escreveu sobre este evento em seu livro, Silent Night, "placas com mensagens começaram a surgir das trincheiras nos mais variados formatos. Elas estavam geralmente em inglês, ou no caso dos alemães, em inglês macarrônico. Corretamente, os alemães assumiram que os ingleses não conseguiriam ler as letras góticas tradicionais, e que poucos ingleses entendiam alemão. 'YOU NO FIGHT, WE NO FIGHT' era a mensagem mais frequentemente empregada pelos alemães. Alguns ingleses improvisaram faixas com a frase 'MERRY CHRISTMAS' escrita e esperaram por uma resposta. Mais placas começaram a surgir em ambos os lados".

Uma trégua espontânea aconteceu. Os soldados deixaram suas trincheiras, encontrando-se no meio da terra de ninguém para cumprimentar-se. A primeira ordem era enterrar os mortos que estavam previamente inalcançáveis por causa do conflito. Depois, eles trocaram presentes: bolo, conhaque, cartões postais, fumo, cerveja. Em um lugar, depois de certa negociação, os soldados trocaram os rifles por uma bola de futebol improvisada e disputaram um amistoso (segundo os relatos alemães, vitória de 3x2 sobre os aliados) ali mesmo na lama.

A trégua não durou para sempre. De fato, alguns dos generais não gostaram de nada daquilo e ordenaram aos soldados que recomeçassem a atirar. Afinal de contas, eles estavam em uma guerra. Os soldados eventualmente recomeçaram a atirar uns nos outros, mas ambos os lados passaram a desperdiçar munição atirando 2, 3 metros acima das cabeças dos inimigos, para evitar que se machucassem.

As tropas tiveram que ser substituídas, pois não conseguiam mais atirar em pessoas com as quais estiveram reunidas momentos antes em celebração ao Natal.

Referência: Silent Night, the story of World War I Christmas Truce

Feliz Natal a todos. Vamos nos encontrar para vocês me darem cerveja e jogarmos um futebol.

Domingo, Dezembro 19, 2004

Ocupado mas vivo

É, as coisas andam meio paradas por aqui, mas tudo é conseqüência da falta de tempo pois ando muito ocupado ultimamente. Quer dizer, andava, pois agora estou de férias até janeiro e gostaria que vocês me invejassem por isso.

(posso ouvir o choro e o ranger de dentes do outro lado da tela)

Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Mudança de Ares III - O Resgate

E cá estou.

Obviamente ainda não tenho muito o que comentar sobre Manaus, pois a umidade e o calor que tudo apodrecem (inclusive meu cérebro) dificultam sobremaneira as observações sócio-antropológicas que costumam alimentar este blog.

Fora que o fuso horário de duas horas a menos em relação a Brasília anda tendo seus efeitos sobre mim, pois estou dormindo 9 da noite e acordando às 5:30 me perguntando onde estou, quem sou e porquê aqueles mosquitos de 15cm de diâmetro estão chupando meu alérgico sangue através da calça jeans com a maior naturalidade.

Tirando esses pequenos problemas, a cidade é muito limpa e bem-cuidada, e tomar chopp a R$2,00 no shopping (que os locais consideram um preço caro), pagar apenas R$1,00 ao flanelinha (isto é, QUANDO tem um flanelinha) e levar entre 15 e 20 minutos para ir e voltar do trabalho já me fazem esquecer o Rio de Janeiro em menos de uma semana.

Depois eu falo mais sobre isso.