Sábado, Julho 31, 2004

O melhor do pior

Coloquei links para uma série de posts do Ponto Flutuante ao longo dos anos. Divirtam-se. Ou não.

Quinta-feira, Julho 29, 2004

De como eu aprendi a mentir

Certa feita, no ano de 1986, estávamos em Itajaí-SC, de férias na casa de alguns parentes, quando meu pai, um gênio em termos de criar programas ridículos e constrangedores e embaraçosos para toda a família tomar parte, convenceu vários de meus tios e tias a acompanhar-nos a uma aventura bastante promissora: ir acampar em um camping fuleiro. Não, não era um daqueles que existem aos montes no litoral do Paraná, mas sim um em Santa Catarina, mais precisamente chamado Lagoa dos Esteves, próximo a Criciúma, no sul do Estado.

Orgulhosos como o exército soviético entrando triunfante em Berlim, partimos em um comboio de paraíbas e farofeiros (havia dos dois tipos de gentalha), em três veículos: um Del Rey 84, cuja grande atração era possuir um relógio digital próximo à luz de conveniência; um Chevette hatch branco 1982, cuja grande atração era estar funcionando; e uma Kombi 1970 e todos, cuja grande atração era o logotipo da Casa Vitória, uma loja de produtos importados do Brás, em São Paulo, da qual dois de meus tios eram herdeiros. Não éramos apenas uma família em busca de diversão com um programa suspeitíssimo em mente, éramos um todo único e maciço de paraíbas se auto-envergonhando estado afora.

Duas horas após o tradicional churrasco na beira da estrada, feito na churrasqueira transportada no topo do Chevette branco, durante o qual ficávamos enchendo o rabo de costela de boi e acenando para caminhoneiros, chegamos a cerca de 5km do camping, onde meu pai obrigou todo o comboio a parar no acostamento:

- Vocês, desçam do carro - disse ele, apontando para mim, meu irmão e meu tio, que seguíamos no banco de trás do Del Rey.
- Mas por quê?
- Entrem lá na Kombi.
- Mas na Kombi não tem lugar...
- Tem sim, vem cá que eu te mostro.

Fomos então apresentados a nossas confortáveis instalações no compartimento de bagagens da Kombi, debaixo de 2 colchões de solteiro estrategicamente posicionados. Não entendia o porquê de estarmos sendo punidos daquela forma, mas me resignei a cumprir o que meu pai mandou, sob pena de tomar um tapa na orelha em caso contrário.

Fechou-se a porta da Kombi, o comboio voltou a andar, e ao chegar na portaria do camping, compreendi o que estava se passando: era apenas um ardil do meu pai para enganar os porteiros do local e assim permitir nossa entrada de graça, diminuindo bastante o custo da empreitada. "Como meu pai é foda! Quando crescer, quero ter estas idéias!", pensei eu, idiota.

Para ser completamente honesto, eu estava aproveitando bastante o camping, e passei a aproveitá-lo ainda mais quando descobri uma sorveteria a poucos metros de nossa barraca. A partir daí, cada centavo que chegava à minha mão convertia-se em sorvete. Mesada? Sorvete! Ir comprar algo no mercado e ficar com o troco? Sorvete! Servir como cantador no bingo noturno? Sorvete! Sorvete! Sorvete! Estava até mesmo criando um prato: o Pesadelo de Sorvete, onde você engole tanto sorvete quando puder, e só pára quando ele começar a sair pelos olhos.

Minha mãe obviamente começou a me admoestar: "Sorvete de novo? Vai te dar caganeira!", "Que nada mãe" (mais sorvete), "De novo? Olha a dor de barriga!", "Tá mãe!", (mais sorvete), "Vai se borrar todo!", "Ahh mãe!", sorvete, "vai se cagar todo", sorvete, "cagar", sorvete, "borrar", sorvete, sorvete, sorvete, "vai acabar se cagando"... Meu corpo, de tanto sorvete e de tanto ouvir mamãe me avisar, resolveu tomar uma atitude para parar aquela situação repetitiva. Ele simplesmente me deu uma forte dor de estômago enquanto eu lia a Turma da Mônica deitado na rede, e então isto me deu a dica para dar um tempo no meu gelado vício.

Ah! Não! Oh meu Deus, me desculpem! Acabei mentindo pra mim mesmo! haha! A reação do meu corpo descrita acima é a que eu QUERIA muito que tivesse acontecido. Na seqüência real dos fatos, eu estava lendo a Turma da Mônica na rede, e justamente em um momento decisivo na história: o Cascão finalmente iria tomar banho! Não agüentando de excitação, virei a página para ver a cena inédita e, obviamente, me caguei todo.

Precisava fazer algo rápido. Andando como pude, fui até o varal e peguei uma toalha, para ir ao banheiro e tomar um bom banho. Eis que, quando estou com a toalha enrolada, já andando em direção aos chuveiros, quem aparece? Ela! A profeta! Minha mãe, perguntando o que eu estava fazendo com uma toalha enrolada na cintura às duas horas da tarde. Eis que chega o momento decisivo: contaria a verdade, me tornando para o resto da vida um ser humano honesto, pagando o preço de ter que ouvir "eu avisei" a tarde toda? ou mentiria, me salvando de uma humilhação familiar, mas condenando a mim mesmo a ser um loroteiro para o resto da minha existência? Qual influência escolher?

"Mentir compensa", pensei eu, lembrando de meus minutos angustiantes soterrado por colchões no bagageiro da Kombi, "afinal, meu pai se deu bem!". Menti. Menti fragorosamente, definivitamente, olimpicamente, até. "Estava jogando bola, mãe! Agora estou com muito calor e vou tomar um banho!". Ora, um menino de 8 anos pedindo para ir tomar banho deveria ser aclamado como o novo Buda, em praça pública, e minha mãe só faltou fazer isso, mas consegui me desviar de seus abraços em meu bósteo corpo e segui meu caminho.

"Mentir compensa", continuei pensando, embora um pouco culpado por enganar minha mãe. Deus me puniu imediatamente, pois no caminho até o banheiro, me borrei mais umas 15 vezes: "Mentir compensa", merda merda merda merda, "Papai se deu bem", merda merda merda merda, "Agora já menti mesmo", merda merda merda merda, "Meu deus isto não vai parar nunca?", merda merda merda.

"Mentir compensa, também me dei bem!", pensei eu ao sair do chuveiro, limpo como o céu em uma manhã de verão. Voltei para a barraca com passos lentos, seguindo a própria trilha de fezes que eu havia deixado minutos antes. Mentir compensa.

Quinta-feira, 27 de Julho de 2004. Rio de Janeiro. Entrevista de emprego. Dizem que mentira tem perna curta, mas foda-se, não sou jogador de vôlei mesmo. Mentir compensa. E não é que paga até bem?

Terça-feira, Julho 27, 2004

De como eu aprendi a ser vingativo

Quem me conhece, sabe que sou dono de uma personalidade por vez vingativa e rancorosa. Normalmente há milhares de causas para que isto aconteça, mas no meu caso, lembro-me imediatamente do dia em que me tornei assim...

Quando somos crianças, vez por outra somos alvo de alguma zombaria de nossos coleguinhas de escola, seja por ter errado um exercício, ter sido pego na brincadeira de pique-esconde ou evacuado nas calças. Para nos defendermos de tais gracejos, temos duas saídas: escolher um alvo novo e imediatamente começar a troçar dele, para que as risadas anteriormente destinadas a nós sejam redirecionadas para o pobre infeliz, ou, caso estejamos sendo zoados por culpa de algo que outra criança fez a nós, utilizar um expediente ardiloso e traiçoeiro, mas que funciona: a vingança.

Em um dia de verão, nos idos de 1984, quando eu era um feliz garoto de 6 aninhos fazendo o Jardim da Infância no Colégio São José, em Florianópolis-SC, estava brincando de correr com meus amigos de turma, quando, por infelicidade ou destino, seja lá qual nome o leitor queira dar ao fato, dei uma parada para descansar em frente à nossa sala de aula. Não foi como uma parada para esperar o ônibus, mas sim como um pit-stop de Fórmula 1: eram 10 segundos pra pegar fôlego e recomeçar a correria. Entretanto, durante este pit-stop, Alisson, meu colega de turma, que estava dentro da sala, veio sorrateiramente por trás e cometeu comigo a pior das humilhações que uma criança pode sofrer em sua vida pré-ensino fundamental: puxou minhas calças até o chão, com a categoria de quem havia feito aquilo muitas vezes em sua curta vida. Fiquei lá, de cueca do Mickey à mostra, com a impressão de que o mundo todo, até mesmo as crianças de Pequim, estavam rindo de mim. Todos virados, apontando o dedo em minha direção e mostrando seus brancos dentes em franca alegria.

Nos milésimos de segundo que se passaram, pensei logo na primeira opção: ridicularizar um novo alvo para que as risadas para ele fossem transferidas. Feliz com minha opção, imaginando um novo alvorescer no qual eu não tivesse que suportar nenhuma humilhação, procurei com os olhos o novo destinatário da mesma, quando, para minha tristeza, minha memória ativou-se como um raio e destruiu meu sonho: Conrado, o fanho, havia saído da escola no meio do ano. Destruído, com as calças na mão, optei pelo outro caminho: a vingança.

Durante uma semana, ouvia durante horas a história da cueca do Mickey ser relatada a mim, como se eu não a conhecesse, seguida por histeria e risadas não tão discretas. Resignado, suportava a tudo calado, mas dentro de mim a chama da vingança já ardia a todo vapor, e bastaria um vacilo de Alisson para que eu desfechasse meu golpe letal em sua auto-estima. Sem mesmo saber, havia me tornado adepto do Código de Hamurábi: um olho por um olho, um dente por um dente, uma cueca por uma cueca. Iria deixá-lo seminu na próxima oportunidade.

Enfim, o dia chegou. Estava comendo meu lanche, que consistia em um toddynho e uma bergamota, enquanto ouvia pela milésima vez a zoação por causa da minha íntima admiração pelos produtos Disney, quando, clara como um diamante lapidado, minha oportunidade chegara. Alisson estava exibindo seus dotes de equilibrista (sim, a mim parecia que ele tinha tais dotes. Nossos inimigos sempre parecem melhores aos nossos olhos) sobre um pneu de trator, que ficava enterrado em pé em meio ao pátio.

Livrei-me do meu lanche, e parti, não em disparada como um Carl Lewis, mas sim traiçoeiramente tal qual um Braddock invadindo sozinho as selvas do Vietnã. Escondia-me entre as outras crianças, tentando não despertar atenção de ninguém. Quando em campo aberto, corri desesperadamente em direção a Alisson para concretizar meu plano: baixar suas calças e deixá-lo seminu em cima do pneu, para todos verem. Durante a corrida, minha consciência deu o sinal vermelho, avisando-me de que eu cometeria um erro do qual me arrependeria para sempre. Então compreendi a natureza humana e vi que meu plano era baixo e vil. Eu não baixaria suas calças estando ele em cima do pneu. Eu o derrubaria no chão com um empurrão, e ENTÃO baixaria suas calças, deixando-o seminu E sujo de barro.

Estava concretizada minha vingança. Olhava satisfeito as crianças rirem da minha vítima, sentia o doce sabor da vitória em minha boca, e o saboreava, triunfante. Saboreio este que terminou assim que a pesada mão da Justiça agiu, agarrando minha orelha com força e me levando para a sala da diretoria. Levei três dias de suspensão.

Porém, quando voltei à sala, o incidente com a cueca do Mickey era um assunto tão tabu quanto a virgindade nos anos 80. Ninguém mencionava. Nunca havia acontecido. Havia sido apagado tal qual o passado em um livro de George Orwell. Eu era respeitado, amado, e principalmente, temido. Aprendi minha lição: vingança traz respeito; vingança é boa; vingança é um prato que se come sem calças.

Anos mais tarde, aprendi que a vingança também é boa se comida fria, mas isso é outra história.

Brasil

Ainda chocado pela morte de uma das melhores pessoas que conheci no Rio, nosso amigo Fervil, em um assalto a 500m do nosso local de trabalho, vejo esta notícia na Folha de São Paulo:


Madeira, cano de ferro e alguns parafusos. Com esse material, já existe gente fazendo arma para entregar à Campanha do Desarmamento. Informações que chegaram à Superintendência da Polícia Federal na semana passada dão conta de que serralheiros estariam começando a fabricar armamentos rústicos com o objetivo de conseguir a indenização, que vai de R$ 100 a R$ 300, dependendo do modelo apresentado.


Como existe gente nojenta e porca de espírito nesse Brasilzão de Deus! Como bem disse o João, a crise não é econômica, é de caráter!

Segunda-feira, Julho 26, 2004

Aa melhores coisas da vida



Você já se pegou pensando nas melhores coisas que existem em sua vida? E achou uma resposta do tipo "o sorriso das crianças", "as obras de Deus", "o sorriso confiante da minha namorada ao olhar para mim"? Seu fresco! Conan pode te ensinar o que realmente importa na vida:


Mongol General: We have won again. That is good! But what is best in life?
Mongol General: The open steppe, fleet horse, falcon on your wrist, wind in your hair!
Mongol General: Wrong! Conan, what is best in life?
Conan: To crush your enemies, see them driven before you, and to hear the lamentation of the women!
Mongol General: That is good.


That is good.

Karamazov

Depois de uma certificação Java, uma Liga Mundial de Vôlei, 17 rodadas de Campeonato Brasileiro, um Fantasy de Tênis (onde meu time bateu com sobras o fraco Newtonfo Tennis Club, de alguns escândalos do governo Lula, da construção de um muro na Cisjordânia, de ver o Bernardo fazendo almôndegas com a Nigella e de eu ter operado de miopia e virado um cara bonitão, consegui terminar Os Irmãos Karamazov.

Agora, posso deitar em meu divã rasgado no canto do meu quarto pobre, ter alucinações com o diabo e dar febre nervosa igual uma mariquinha russa do século XIX, mas pelo menos estou satisfeito com o resultado.

Quinta-feira, Julho 22, 2004

18 graus no rio e as pessoas vestidas como se estivessem na sibéria. Ah cariocas ! Eu me rio de vocês.

Quarta-feira, Julho 21, 2004

Orkut

O bom do Orkut não são as comunidades, o sistema de busca ou a possibilidade de reunir todos os contatos sobre seus amigos em um lugar só. É você poder ter um set de pessoas as quais você considera uns imbecis, e poder entrar no Orkut e ter a oportunidade de ler mais sobre tais pessoas, conhecer seus gostos, suas opiniões e seus amigos. E não achá-las mais uns imbecis, mas sim ter certeza de que, além de imbecis, elas têm profundo orgulho de mostrar ao mundo o que são.

Alcione



Quando eu tiver minha empresa de segurança e vigilância 24 horas nos Estados Unidos, vou chamá-la de "All See One", em homenagem à Marrom da Mangueira.

Terça-feira, Julho 20, 2004

Anencefalia

E o STF concedeu liminar permitindo o aborto de fetos sem cérebro. Aplaudo a decisão e, amparado por sua jurisprudência, vou entrar na Justiça pedindo legalização para o aborto de Presidentes da República sem cérebro.


Molóssi

Quem acha que conhece uma pessoa ignorante, precisa conhecer o Molóssi.
 
Molóssi era amigo da minha família. Molóssi era um gaúcho grosso de Vacaria. Molóssi passou boa parte da vida matando bois a marretadas em um frigorífico de Caxias de Sul. Molóssi conversava com você socando as paredes. A menção do nome Molóssi fez meu irmão se cagar quando este roubou um microfone do Molóssi e o trocou por um cartucho de Atari. Molóssi reciclava: fazia suco de casca de abacaxi pra não desperdiçar. Molóssi condenava o lesbianismo, o "amor bestial entre mulheres, condenado por Deus". Molóssi me dava medo. Molóssi sempre achava que uma porrada bem dada era o melhor a se fazer. Molóssi tinha 3 filhas: Raquel, Rute e Manoela Emília. Molóssi tomava a lição de Manoela Emília: "qual o nome daquilo que se usa para pegar peixe, Manoela? É pega-peixe, pai". Molóssi suspendia Manoela Emília pelo braço no ar e lhe dava uma varada. Molóssi achava que bandido bom é bandido vivo, mas sofrendo com choques elétricos no pênis. Molóssi ganharia o prêmio "Ignorante do Ano", da Ignorance Magazine.
 
Quem acha que conhece uma pessoa ignorante, precisa conhecer o Molóssi.

Nem vou comentar

Direto da Agência Estado:
 
Celulares assassinos causam pânico na Nigéria

O boato se espalhou rapidamente em Lagos, na Nigéria: atender, via celular, a um chamado telefônico de determinados números, provocaria morte imediata. A população, altamente supersticiosa, entrou em pânico.

São Paulo - A população de Lagos, na Nigéria, está em pânico em razão de um boato espalhado por e-mail de que se alguém atender a um chamado telefônico de determinados números, via celular, morrerá na hora.As operadoras estão esclarecendo através de jornais, rádios e televisão, que as mensagens são mentirosas. Mas pouco tem adiantado. Os nigerianos são conhecidos como um povo crédulo e supersticioso. Há alguns anos, eles se recusavam a dar um aperto de mão. Motivo: a notícia de que o cumprimento poderia causar a perda do orgasmo.

 
Nem vou comentar nada, pois qualquer comentário poderia me levar para a cadeia, vocês sabem. Mas que é engraçado, é.

Sexta-feira, Julho 16, 2004

Falta de classe

E então quer dizer que o governo petista (autista?) está se metendo em conchavos com a dupla Zezé di Camargo e Luciano, hein? Que falta de classe! Na época do governo FHC, faziam-se conchavos com pessoas de melhor estirpe.

Quinta-feira, Julho 15, 2004

Hora da Propaganda

Apesar de o Newtonfo ter me escrotado no comentário do post anterior, Newtonfo  me pede, e eu, em minha divina benevolência, linko Newtonfo várias vezes aqui para anunciar que Newtonfo.com está de volta às atividades, com um layout mais limpo e sem viadagens do tipo "iMood", "poemas" e outras coisas não tão masculinas.

Terça-feira, Julho 13, 2004

Nem todos os blogs merecem o céu

Encontro alguém conhecido (ou alguma conhecida, conforme a preferência do leitor). Cumprimento, chamo para sentar e tomar um chopp.

- E aí, tudo bem?
- Tudo, e você, Daniel?
- Tudo certinho. Vai um choppinho aí?
- Opa, na hora certa, ainda mais com esse calorzão né?
- É verdade.
- Tô querendo criar um blog pra mim!
- É mesmo? Que legal, há algum tempo você nem sabia nem ligar um computador! Vai exercer sua verve de escritor ou poeta, publicando aqueles manuscritos há muito perdidos dentro de uma gaveta poeirenta que revelarão um(a) grande escritor(a) ?
- Não, você sabe que eu sou muito desse negócio de escrever; mas meu blog vai ser superinteressante assim mesmo!
- Vei ser sobre o que?
- Ah, vou contar meus porres, minhas farras com a galera, igual àquela vez em que eu fui na boate e fiquei amigo(a) do segurança, e depois...
- rram, rram
- Que foi?
- É que...
- Você não gostou? Você sabe que essas histórias são de matar de rir...
- Sim, eu sei, mas...
- Fala logo!
- Histórias normalmente são engraçadas para quem as presenciou, ou então se você souber contá-las muito bem, para fazer quem não presenciou se sentir como se estivesse estado lá, e para isso é necessário saber escrever, e, hum... você mesmo(a) falou acima que "não é muito desse negócio de escrever", então seguindo esta linha, as histórias não vão ser nada engraçadas, concorda?
- É, você tem razão...
- Que tal um blog sobre política então? Pra meter o pau no governo ou pra apoiar o Mula?
- Ih Daniel, política não é muito meu negócio, é coisa só de ladrão e vagabundo...mas já sei!
- Já sabe o que?
- Vou fazer um blog pra falar mais sobre mim, afinal, você sabe como eu sou né? 8 ou 80! Ou me amam ou me odeiam! Então vou falar sobre as minhas opiniões, e mandar todo mundo se foder, afinal quem quiser ser meu amigo tem que me engolir!!!
- (suspiro)
- Que foi agora?
- Vejamos: você não tá nem aí pra opinião dos outros, fodam-se eles, precisam te aceitar como são ou então não aceitar, certo?
- Sim, sou sincero(a) e direto(a), sou este tipo de pessoa! Ame-me ou deixe-me!
- Então por que você vai escrever um blog para as pessoas que você não liga? Afinal, se você não dá a mínima para a opinião dos outros, para que ficar enchendo o blog com respostas e impropérios dirigidos a "Deus sabe quem", mas que ninguém além de você sabe quem é? E pra que você o está xingando se não se importa com o que ele pensa?
- É, ia ser meio incoerente...
- Meio? Ia ser muito incoerente...mas tenho uma sugestão!
- Qual?
- Que tal um blog com pérolas diárias de sabedoria? (risos) Você pode fazer um post por dia, contando algumas experiências suas que poderiam fazer o dia de alguma pessoa melhor, ou ainda, poderia escolher algumas das suas frases favoritas e explicar o porquê de elas serem suas preferidas!
- Ah, meu dia-a-dia é muito corrido, trabalho, faculdade, não tenho tido muitas experiências assim, relevantes...
- Entendo, entendo...
- Mas eu podia fazer algo falando mal de mulher (homem)!
- Ah, no estilo Delícias Cremosas, Xoxota's Crew, 02 Neurônio e tal?
- Que isso?
- São blogs que falam mal de homens e mulheres... são bem tradicionais na Internet.
- Então não ia ter graça...
- Não muita...Outra idéia, que tal um blog com reviews de livros? Ia ser legal saber suas opiniões sobre eles e além do mais você poderia até mesmo incluir um fórum de discussão de seus livros favoritos!
- Parece bom, mas é que com a faculdade, e a correria, só tenho lido livros técnicos ultimamente...não tem sobrado tempo para a literatura.
- Cinema?
- Não tenho ido, sou mais de alugar DVD...
- Esqueçamos esta idéia também então...
- (forçando pra pensar em algo)
- Olha, tenho outra idéia pra você...
- Qual, Daniel?
- Um Fotolog!
- O que é um Fotolog?
- É uma espécie de blog, mas onde as imagens são a atração principal, você normalmente posta uma imagem por dia... Uma imagem que fale por si só, ou então com um pequeno texto sobre ela.
- Caramba, que idéia ótima, acabei de comprar uma nova câmera digital, vai ser o máximo!
- Já tem idéias para fotos?
- Claro! Semana que vem tem reunião da galera, vou bater um monte de fotos e colocar pra todo mundo ver na Internet?
- Sua galera tem algo de especial? Muita mulher gostosa (ou homem bonito)? Gente com cara engraçada?
- Não, é tudo gente normal, assim como a gente...
- Então porque eu quereria vê-los? Galera normal eu também tenho a minha... Que tal umas fotos poéticas, algumas paisagens interessantes que você conheça? Ou aquelas pequenas coisas do dia-a-dia que valem a pena ser registradas para a posteridade?
- Hm... Não tenho viajado muito, e também não tenho muita veia poética, tenho que confessar...
- Olha, minha última opção pra você aparecer na Internet...
- Qual?
- O Orkut, você entra lá, adiciona todos os seus amigos, entra nas comunidades, compartilha seu karma, escreve algo legal para seus amigos do coração, o que você acha?
- Parece legal, mas é que a maioria dos meus amigos não acessa a Internet...
- ...

Levantou-se, me cumprimentou, pagou o chopp e saiu andando cambaleante, sem saber direito o que fazer. Tinha a preocupação estampada no rosto, ao invés da expressão radiante da chegada. Começara a se questionar qual seria exatamente sua significância para a humanidade. Eu estava satisfeito, pedi mais um chopp. Havia conseguido conscientizar mais um(a) criatura inerte a tentar assumir seu papel no mundo. Pedi mais um chopp, um cigarro, e mais um chopp. Ia tomar um porre e encontrar com a galera e zoar pra caralho. Incoerente? Não, a galera é minha e faço com ela a zona que quiser, mas você não precisa e nem vai querer saber disso, certo?

Oh!

Do Estadão:

"Times" vai publicar "Grande Gatsby" em capítulos

Nova York - Em uma manobra incomum para conseguir mais leitores e anunciantes, o jornal The New York Times retomou uma prática antiga na história do jornal impresso e vai publicar em capítulos o romance o O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, com o patrocínio de um grupo de distribuidores da BMW em Nova York. O jornal vai publicar o romance inteiro durante esta semana em sua edição que circula na região metropolitana da cidade de Nova York.



Suspiros. De tristeza, é claro.


Sábado, Julho 10, 2004

Vergonha

Venho correndo do porão, com um certificado nas mãos. Estou coberto de poeira, teias de aranha, sujeira, roupas esfarrapadas e bosta de rato:

- Mãe, consegui!
- O que você está fazendo aqui fora?
- Mãe, consegui, passei na certificação Business Components Developer da Sun!
- O que eu lhe falei sobre sair do porão?
- Mas mãe...
- Temos vergonha de você, seu nerd, volte para lá!
- Mas mãe...
- Sua comida estará debaixo da porta às 11, coma-a antes que os ratos a comam primeiro.
- Mas...
- Agora.
- Mas você disse que quando eu tivesse várias certificações em Java você iria me deixar sair...
- ...
- Tá bem. Vou voltar, vou voltar.

Quinta-feira, Julho 08, 2004

Maravilha criada pelo Senhor

O bom de se operar de miopia (tinha 9 graus e agora tenho menos de 1) é, após 26 anos, entrar no chuveiro para tomar banho e ver a mim mesmo completamente pelado, com total nitidez, e ter certeza da existência de Deus, através da obra maravilhosa e perfeita que é meu corpo desnudo.

Terça-feira, Julho 06, 2004

Santa SchoenWHAT?

Direto do quadro de avisos do meu prédio, o fabuloso, nababesco e suntuoso "Mirante Cinco Estrelas", situado na região mais nobre e emergente da Barra da Tijuca:



Se a senhora que fez este anúncio conseguir encontrar, no meu prédio, 6 pessoas que saibam falar a palavra Schoenstatt, isto já será um milagre e tanto!

Eu, que não sou ignorante, sei perfeitamente que tal santa é aquela germânica cuja imagem (em exposição no meu edifício) chora chopp escuro pronto para consumo.

Segunda-feira, Julho 05, 2004

Pérolas da vida corporativa

Aqui na empresa, existe uma menina de uma certa área que lida diretamente com a área de TI. Ela costuma fazer os pedidos de sistemas já acompanhados por um "posso testar?", que obviamente, mostra assim seu desprezo com relação à palavra "prazo". Outro costume dela é enviar um e-mail para nós com tais pedidos, e 2 minutos depois chegar aqui e perguntar "Viu o que eu te mandei agora?", como se todos fôssemos treinados em leitura dinâmica e em análise dinâmica de sistemas. Para esta pergunta, normalmente damos uma das três respostas abaixo:

1) "Não vi ainda não."
2) "Já vi que você mandou mas não olhei."
3) "Olhei mas ainda não tenho posição sobre o assunto."

Como ela fica irritada com qualquer uma das respostas, bolei uma mais criativa, que prometo utilizar em todos os dias a partir de hoje:

(corta para cena de menina chegando à baia do TI)

- Daniel, tudo "bom"?
- Tudo "bem" sim.
- Viu o que eu te mandei agora?
- Vi sim, mas caguei pra isso.
- ...
- (coloca o fone no ouvido e volta a ouvir Metallica)

Sexta-feira, Julho 02, 2004

Eu tinha um sonho, agora fodeu tudo

Eu posso tolerar viver num país onde o povo é analfabeto.
Eu posso tolerar viver num país que me paga uma merreca por mês.
Eu posso tolerar viver num país onde a saúde não funciona.
Eu posso tolerar viver num país onde a educação é uma merda.
Eu posso tolerar viver num país que elege o Mula presidente.
Eu posso tolerar viver num país onde a sociedade é baseada no futebol e onde o povo acha que se o Flamengo fechar vai haver guerra civil.

Mas não posso tolerar viver num país onde uma pessoa chega de gravata ao McDonald's da Avenida Rio Branco e pede "uma casquinha de bauMilha".

Meu sonho era transformar o Brasil em um país decente. Mas agora fodeu tudo.

Fuckão

Andando pelo blog do glorioso Adamastor (hei de linká-lo asap), vejo uma referência ao Fokao. Em poucas palavras: nunca vi um cara de tanta idade exibir tantas idéias interessantes em tão poucas linhas. Um exemplo do trato do rapaz com a última flor do Lácio:

"Ando meio sem ideias para escrever ake sem vontade tbm mais esse fds foi bao ate onte fizemo uma LAN na casa do raul o pipoco rolo pareio uHAUHhuHUAUh so tinha loko e bebado lah daonde meu huahuhUAHUAHUHUAHUHUAHHUUHAUA e eh isso nao tem assunto intao ce v6 kizerem comenta comentem cenao nao comenta huahuAUHhu bjokas "

uhuhashudhuauhUHA mto dOiD0 mermao kuakuakua mas que idea loka v6 sao mto feras!

Quinta-feira, Julho 01, 2004

Popeface



Foto engraçada do Papa para vender no eBay. Este Karol me mata de rir.