Segunda-feira, Junho 28, 2004

Assuntos de elevador

Já aconteceu com vocês de estar conversando com uma pessoa mais ou menos íntima em um elevador, e quando ela sai no andar dela, o assunto não acabou ainda? Aí ela fica segurando a porta para terminar de falar enquanto você fica com um sorriso amarelo, constrangido porque tem mais gente no elevador esperando para subir e o filho da puta não pára de falar?

Isso acontece comigo direto, e geralmente quem inicia o assunto sou eu. Sou culpado de meu próprio constrangimento, pois sempre inicio assuntos complexos, quando a convivência efêmera que acontece em uma viagem de elevador pede um assunto igualmente efêmero. Por que ainda não domino está técnica? Preciso me futilizar um pouco, para parar de passar vergonha.

Sábado, Junho 26, 2004

Eu confesso

Tudo bem, eu confesso: Eu acesso o site esquerdista Centro de Mídia Independente todo dia só para ver estudantes tomando um cacete da Polícia Militar.

Para pensar na cama


O brasileiro é um vegetal

"O reconhecimento das limitações nacionais é altamente benéfico. Causamos muito mais estragos nos momentos de euforia do que quando admitimos nossa irremediável inaptidão"

Albert Einstein visitou o Rio de Janeiro em 1925. Passou uma semana na cidade. Coleciono diários de viagem de estrangeiros ilustres ao Brasil. O de Einstein eu não conhecia. Foi editado recentemente por Alfredo Tiomno Tolmasquim, com o título Einstein: o Viajante da Relatividade na América do Sul.

Quanto mais superficial e preconceituoso é o viajante estrangeiro, mais chance ele tem de compreender o Brasil. Einstein foi superficial e preconceituoso na medida certa. Admirou-se com nossa mistura étnica, acrescentando que fomos gerados espontaneamente, "como plantas, subjugados pelo calor". A idéia de que os brasileiros são iguais a plantas é um tanto ofensiva, mas de difícil confutação. O meio científico nacional da época não via a miscigenação como um fator definitivo. Os especialistas com quem Einstein conversou, durante a viagem, garantiram-lhe que o Brasil se tornaria progressivamente mais branco, já que as características negras desapareceriam com o tempo, devido à inferioridade genética dos mestiços. Einstein, em seu diário, anotou que nossos catedráticos eugenistas eram irrelevantes e tolos: "Acredito que essa tolice tenha a ver com o clima". O clima quente e úmido do Rio de Janeiro, para Einstein, amolecia as pessoas e levava-as a crer em bobagens como a telepatia. "A vida de um europeu é mais rica, sobretudo menos utópica e nebulosa."

Assim que desembarcou no Rio de Janeiro, Einstein foi obrigado a comprar um fraque, para poder participar de um encontro com o presidente Arthur Bernardes. O encontro oficial mereceu uma única linha em seu diário: "À tarde, visita ao presidente, ministro da Educação e prefeito". Em outra ocasião, ele comentou: "Visita a ministros, graças a Deus na maioria ausentes". Além da tolice de nossos catedráticos, portanto, Einstein logo se deu conta da vacuidade de nossos políticos. O público comparecia em massa às suas palestras, em salas rumorosas e pouco ventiladas, mas ninguém entendia suas palavras, por absoluta falta de conhecimento científico: "Para eles, sou um elefante branco; eles, para mim, são uns tolos". Apesar disso, o Brasil pode se vangloriar de ter tido um pequeno papel na carreira de Einstein. A teoria da relatividade ganhou sua primeira confirmação empírica na cidade cearense de Sobral, onde cientistas ingleses fotografaram algumas estrelas num eclipse solar. Depois de confirmar a teoria da relatividade, Sobral ainda legou à humanidade a dinastia política de Ciro Gomes.

Ao sair do Brasil, Einstein declarou-se "finalmente livre, porém mais morto do que vivo". Ele não foi o único viajante estrangeiro a levar uma má impressão do país. Quase todos os que passaram por aqui nos esculhambaram em seus diários. Com argumentos semelhantes aos de Einstein: a tolice de nossos catedráticos, a nebulosidade de nossos políticos, o aspecto vegetal de nosso povo, o amolecimento de nosso caráter, a miséria de nossas utopias. O reconhecimento das limitações nacionais é altamente benéfico. Causamos muito mais estragos nos momentos de euforia, quando acreditamos em nós mesmos, do que quando admitimos nossa irremediável inaptidão. Por isso, lembre-se sempre de Einstein: a gente é igual a planta.

Diogo Mainardi - 30/06/04

Terça-feira, Junho 22, 2004

Dia de Merda

Do Folha Online:

Lula é vaiado e chamado de traidor durante velório de Brizola
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ANA PAULA GRABOIS
da Folha Online

Cerca de duzentos militantes do PDT vaiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro José Dirceu (Casa Civil) durante o velório do ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, 82. O clima de hostilidade fez o presidente ficar cerca de cinco minutos no saguão principal do Palácio da Guanabara, sede do governo do Rio, local onde é realizada a cerimônia.

Sob os gritos de "PT traidor", Lula, que estava acompanhado de outros ministros, passou rapidamente pelo caixão de Brizola e deixou o local pela saída do fundos do Palácio. Os pedetistas, partido cujo ex-governador era presidente nacional, tentaram invadir o espaço reservado aos familiares e personalidades para agredir o presidente. Houve um princípio de tumulto entre os manifestantes e segurança presidencial.



Do UOL:

Pesquisa CNT/Sensus
Governo Lula tem a pior avaliação desde a posse


Hoje sim, o Presidente vai encher a cara para encerrar este dia de merda que ele deve estar tendo.

Brizola

E lá se foi o Brizola. E a pergunta feita em 1989 permanece sem resposta: ele usou ou não calcinha quando fugiu para o Uruguai depois do golpe de 64 vestido de mulher?

Mais carioquices

Aproveitando meus posts sobre os barracos cariocas, minha amiga e co-worker Mônica Sabino (private blog) me envia os 10 principais pontos de sua experiência como não-carioca morando na Cidade Maravilhosa:

10 coisas irritantes do Rio de Janeiro

1. Tem sempre um certo e socialmente aceitável - e todos parecem estar de acordo sobre isso... Mas você só sabe o que deveria fazer depois que errou, é claro... Procurei pra vender na banca, na livraria. Não tem manual, tem q aprender errando...

2. Sua percepção sobre como dirigir é alterada no *core*. Vc se transforma em um bichinho q não tem nenhum respeito pelo veículo ao lado. E o pior, não lembra de nunca ter sido diferente.

3. Os botecos de chão sujo e garçom grosso são adorados. Adorados, não, idolatrados. Eu vou *amarradona*... Feliz mesmo, e me divirto. Mas sempre, sempre foi apenas pela companhia.

4. As escolhas q um carioca faz são a unica verdade possível... Todo o resto do mundo é que ainda não viu a luz.

5. Todo mundo se conhece e passou pelas mesmas coisas na adolescência. Menos você... Dá um *ET-like* feeling nas duas semanas que antecedem o carnaval e durante o dito cujo.

6. Como todo mundo passou por coisas parecidas, você ouve a mesma história 200 vezes. Acho q dia desses tem algumas que eu vou achar que aconteceram comigo...foi não?

7. Pra ser ouvida queando eu tenho um comentário sobre uma *área de oportunidade* para um carioca no q se refere a sua carioquice, eu tenho sempre q apelar *nào é mesmo, bernardo?* Explico, Bernardo tb
não é daqui. Sorte q como eu sou um *doce de menina*, ele sempre concorda.

8. As pessoas tiram barato o tempo inteiro das minhas expressões inadequadas, como *farol*. No entanto, apesar de ninguem assumir, adoram meu sotaque.

9. Demora um ano até vc dominar a sutileza por trás de certas expressões amplamente utilizadas. A diferença entre *chato* e *péla-saco* eu só dominei recentemente.

10. Como todo mundo da zona sul está interligado por pouquissimos graus de separação, qualquer amigo tem um amigo especialista em qualquer área do conhecimento humano. De física nuclear a tinta de
cabelo. De paraquedismo a parto de cócoras. Muito péla-saco :<)

Concordo com todas, e adiciono uma bastante polêmica: a maioria dos cariocas acha que o Leblon e Ipanema são o centro geográfico, astronômico, econômico, social, cultural e musical do Universo. Desculpa aí gente, não é. O centro disso tudo é a Savassi, em Belo Horizonte. :D

Segunda-feira, Junho 21, 2004

Barracos Cariocas

Eu sou mesmo um fucking genius. Conforme eu havia dito neste post, todos os barracos armados pelos cariocas já vêm com auto-reply, ou seja, a pessoa insultada está automaticamente logada no mesmo barraco criado pelo ofendedor.

O que eu não sabia é que, além do auto-reply, os barracos daqui também vêm com auto-login! Impressionante, não é?

Aí você me pergunta: "Daniel, mas qual a diferença entre o auto-reply e o auto-login?"

Respondo: A diferença é que no auto-login, você está perto da pesssoa que iniciou o mesmo, e por conseguinte, já está participando do barraco como auxiliar dela. Cito meu exemplo pessoal: outro dia, estava esperando para atravessar em um sinal de pedestre da Avenida Pres. Vargas, no Centro do Rio. Algumas pessoas, mais apressadas, esperavam passar alguns carros e saíam correndo para atravessar a avenida, mesmo com sinal fechado. Um senhor, ao meu lado, simplesmente começou a gritar, sendo "educado": "CALMA GENTE! O SINAL TÁ FECHADO PORRA! CALMA MINHA GENTE! PRA QUÊ TANTA PRESSA?" e então virou-se para mim e continuou: "FAZ IGUAL EU E O RAPAZ AQUI, ESPERA SUA VEZ PRA PASSAR", frase à qual eu reagi com um seco "depois reclamam do motorista". Pronto, estava logado no mesmo barraco criado pelo sujeito, e ainda estava defendendo sua posição, sem nem notar. Estes cariocas realmente sabem fazer as coisas acontecerem!

Orkut

Vejam só quem foi parar no Orkut? Sim, eu. Me procurem por lá, meu nome é Daniel Rocha. A princípio eu tinha achado tudo muito hype e uma versão um pouquinho melhor do funesto Friendster (aliás, teve uma festa do Friendster aqui no Rio de Janeiro ano passado que foi comparada ao filme Jurassic Park tamanha era a qualidade do pessoal presente.), mas cedi às pressões e me cadastrei lá.

É um serviço bem interessante e permite agrupar todos os seus contatos em um único lugar, assim você não perde contato com ninguém quando decidir sair da sua cidade, onde vive com conforto na casa dos seus pais, e ir para outra, ganhar "o seu espaço" e a "sua liberdade", à custa de 1000 reais de aluguel e alta dependência de cheque especial. Resta saber se vai durar, pois depois que você adiciona todos os seus amigos, há pouco o que fazer no sistema, além de participar das comunidades.

Back to the future

Alô rapaziada.

Depois de vários meses e uma tentativa abortada ao nascer de fazer um blog em inglês, decidi, não por ter fracassado em tentar levar uma vida fora da Internet, mas sim por pressão dos amigos (confirmem hein seus fdp!!!), retomar a postagem aqui no Ponto Flutuante, agora com layout mais legal e com navegação bem mais rápida. Leia-se: "layout mais legal" por "template comum do blogger" e "navegação mais rápida" por "Daniel, tu deixou dessa filhadaputagem de fazer blog em JSP".

Obrigado a todos que sentiram a minha falta, gostaria de dizer que vocês são lixo e eu os desprezo.