Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004

Cariocas e o gene da barraquina

Eu, como antropólogo e sociólogo formado em mesa de bar, sempre que possível gosto de observar o comportamento das pessoas ao meu redor, para estabelecer comparações, identificar características, confrontar perfis. Isto é claro antes de eu ficar levemente alcoolizado, já que depois que isto acontece eu só sei usar meus conhecimentos para estabelecer mulheres-alvo para o flerte, identificar mulheres das quais correr e confrontar com outros machos pelo direito de paquerar as mulheres. (Nota: para que o leitor melhor identifique exatamente o ponto em que isto acontece, é o momento no qual você chega e *pensa* que está falando para a menina: "Oi, tudo bem? Meu nome é Daniel, e o seu?", mas na verdade está falando "Oiiiiiiiiioooooooooomeaaaaaaanieleeeeeeeoeuuuuuuu?").

Como todos sabem, me mudei para o Rio de Janeiro há oito meses, sendo os cariocas então os alvos favoritos das minhas astutas observações científicas.

Em meus últimos estudos, me dediquei a diagnosticar um interessante espectro da personalidade carioca: a incrível capacidade dos nativos da Cidade Maravilhosa de armar barracos. Não, não são discussões leves, ou confronto de opiniões. São aqueles barracos homéricos, gritaria, confusão, xingamentos e gritos de "ai, vou passar mal".

Forçando a minha precária memória, me lembro de ter presenciado ao menos um barraco por dia em todos os dias que passei no Rio de Janeiro desde minha mudança.

Todas as situações cotidianas podem ser geradoras de barraco. Exemplificando: o fato de o motorista de um ônibus buzinar para um carro que acabou de lhe fechar gera um barraco do tipo "AEEEEEEEEE MOTORISTA, TOCA MUITA BUZINA HEIN? INCOMODANDO TODO MUNDO, NÃO TEM PACIÊNCIA NÃO?". Se o mesmo motorista é obrigado a frear forte para evitar um acidente, logo aparece uma mocinha vindo lá de trás com o dedo em riste: "O senhor não sabe dirigir não? Não tem consciência do que está fazendo com as pessoas lá trás?". Vale lembrar que o típico barraco carioca já vem com auto-reply, ou seja, a pessoa insultada automaticamente já está "logada" no mesmo barraco mesmo contra a sua vontade.

Alguém não gostou do seu trabalho? Não, isto não é possível, o que acontece é que "neguinho tá tentando me foder, eu sei, ele vive fazendo isso desde que entrou na empresa, ele não vai com a minha cara, vou lá tirar satisfação com esse palhaço". Você enfia seu cartão do banco no buraco errado do caixa eletrônico: "ARRRRRRRRRGH A MÁQUINA COMEU MEU CARTÃO, É UM ABSURDO COMO ESSES BANCOS DESRESPEITAM A GENTE NESTE PAÍS".

Até em enterro carioca arruma barraco: "AIIIIIII MEU DEUS, COMO VOU VIVER SEM ELE? AI MEU DEUS ME LEVA COM ELE, ME LEVA COM ELE!".

Uma outra característica forte do barraco carioca é que, em menos de 5 segundos, já se forma um séquito de seguidores ávidos por um escândalo de proporções épicas.

Intrigado após presenciar tal fenômeno centenas de vezes, resolvi estudar o assunto mais a fundo, tentar descobrir o motivo, causa, razão ou circustância que leva os cariocas a ter este tipo de atitude.

Mas o meu conhecimento científico enquanto sóbrio é zero, logo eu desci ali no bar e tomei um choppinho, durante o expediente. Hoje, em vez de cientista humano, virei um biólogo, então a única explicação que eu encontro para a personalidade barraqueira das pessoas é esta: mutação genética. Tenho absoluta certeza que, se feita a pesquisa certa, serão encontrados na molécula DNA dos cariocas não 4, mas 5 bases hidrogenadas: tinina, guanina, adenina, citosina (normais), e a barraquina. Como esta é exclusiva dos habitantes aqui da região, isto configura também o fenômeno de isolamento genético, fato que explica que as pessoas dos outros estados do Brasil tenham comportamento normal em relação à capacidade de fazer escândalo por nada.

Um fato curioso é que a maioria (cerca de 99,7%) dos barracos são gerados por um motivo comum: nada. Sim, nada. Quando há motivo pelo qual um catarina como eu faria um barraco, nenhum carioca se apresenta. Estranho, concordam? Quando beber mais chopps, irei ao encontro de algum especialista em legislação de nível municipal, pois tenho certeza que encontrarei uma portaria, um decreto ou norma que institua que os cariocas têm o direito legal de fazer um barraco por dia sem motivo algum. Então me naturalizarei carioca para me beneficiar desta eventual lei, podendo aprontar barracos diários e ver qual é o efeito que isto tem sobre a minha personalidade. Quem sabe eu não fico mais relaxado?
Por quê?

Se José de Alencar escreveu "O Guarani", por que Daniel Rocha não pode escrever "A Ponte Preta" ?

A vida é tão injusta.

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

Sapiência

Podem falar o que quiser, mas as sábias palavras do Tio Adamastor é que são dicas preciosas de como e onde achar o amor da sua vida:

"Quando eu me encontro naqueles dias de depressão e baixa auto-estima, eu dou uma esticada ao Pampa Grill, onde sou tratado como um popstar por toda aquela corja de rameiras, mindingas, pistoleiras, cachorras, messalinas, vadias, barangas, putas-velhas, petistas, indies, maconheiras, secretárias, mamelucas, solteironas, gordas-de-lycra, mulheres-de-cabelo-ruim e obviamente, aquelas que "moram mal".

Às vezes, só essas criaturas das trevas é que te dão o valor que o mundo te renega. "


O problema é que ele não diz ONDE fica o Pampa Grill, para eu ir até lá e me sentir um popstar também.

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004

Fácil

Pegar o Saddam é fácil, quero ver é pegar o Eurico.

Domingo, Fevereiro 15, 2004

Ruim

Para provar mais uma vez que um time cheio de estrelas não ganha jogo sem treinar, acabei de ver na reprise do Grammy uma banda formada por Sting, Dave Matthews, Vince Geil e Pharrell Williams fazer um cover de I Saw Here Standing There, em homenagem aos 40 anos da famosa apresentação dos Beatles no Ed Sullivan Show.

Resultado: não ensaiaram (ou ensaiaram pouco), e fizeram um dos piores covers que eu já tive a infelicidade de ver e ouvir.
Safadeza

E o prêmio "Livro Com Título Mais Engraçado de um Capítulo" vai para o livro Core Java 2. O quinto capítulo se chama "Advanced Swing".

Este é um livro de programação, não de putaria.
Piada perfeita

À respeito destas fotos da argentina Antonela, tenho a declarar apenas que comprarei as cópias da mesma pelada em uma boate trash de Santa Catarina, e quando eu encontrar algum dos próximos namorados dela aplicarei a piada :

- Aí cara, tudo bem ?
- Tudo.
- Tem foto da sua mulher pelada ?
- Não.
- Quer comprar ?

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004

Djavan

Todo dia, ao entrar e sair da academia, eu passo em frente à sala de spinning, onde mulheres e homens estão pedalando suas bicicletas que não se movem por estradas, praias e montanhas imaginárias, suando igual panela com água fervendo, animados pelos gritos de incentivo do professor:

- Vamos lá ! uhu ! Vamos lá ! Não pode parar hein ? Pedalando ! Pedalando !

Além dos eruditos gritos do instrutor, reparei que sempre está tocando uma música legal, semana passada rolou até um Ozzy Osbourne e Pearl Jam.

Mas ontem eu passei lá e estava tocando Djavan. Putz, Djavan. Alguém aí da platéia pode me dizer como diabos o Djavan pode animar uma aula de spinning ? O único cenário em que eu presumo que uma música do Djavan possa ser usada em tal aula é aquele no qual o professor grita: "Agora vamos lá, imaginem que estão subindo a montanha mais alta do mundo, que a sua vida é uma merda, que seu cônjuge está te chifrando, que você tem câncer de próstata ou de útero, e que você mal pode esperar chegar até o topo para poder se jogar de lá. Pedalando! Pedalando!".

Aí sim, Djavan cabe perfeitamente.

Mas no geral, Djavan estraga qualquer aula de spinning. Aliás, Djavan estraga qualquer situação. Você está em um bar, bebendo e batendo um papo animado, e começa a tocar Djavan, o que acontece ? Em 20 minutos a conta tá na mesa e vocês estão indo embora.

Djavan estraga até show do Djavan. O sujeito vai, compra ingressos para ele e a namorada intelectualóide, vão até o local da apresentação, sentam-se nas mesas (afinal, show do Djavan é todo mundo sentado, você compra mesa, e não pista), bebericam uns martinis até a hora de começar a cantoria. Aí quando o rapaz começa a cantar, você olha para sua namorada (a intelectual, lembra ?), ela para você e os dois falam ao mesmo:

-Ih, é Djavan porra! Vamos embora!

Djavan não é música para aulas de spinning.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2004

Prova de amor

- Você me ama de verdade?
- Sim, eu te amo de verdade!
- Não acredito...então prova!
- Como?
- Me diz três sucessos do Eagles!
- Ih, fodeu.

Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004

Eat this

Quando eu postei aqui que o Brasil não "merece" uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU por não ter nenhum poder militar, falta esta causada pela penúria em que se encontram as Forças Armadas e também pelo histórico nulo de participações decisivas em confrontos internacionais importantes, neguinho me chamou de imbecil, servilista, e outras coisas piores; disse que eu desconhecia a situação das Forças Armadas.

Pois bem, esta reportagem da Istoé sobre a potência da nossa defesa aérea vai abrir os olhos dos revoltados. Ou talvez eles possam me explicar como se defende um país de 170 milhões de habitantes com 19 pilotos de caça, sendo que os nossos aviões de elite "Mirage são o ponto central na defesa do País e, principalmente, de Brasília. Fora de linha há mais de uma década, nem a Dassault, seu fabricante na França, tem as peças de reposição necessárias. Para mantê-los no ar, a FAB precisa, além do talento de seus pilotos, fazer mágica na busca de peças e equipamento mundo afora, garimpando em uma espécie de “desmanche” internacional de aviões desativados. “Manter o Mirage operando é cada vez mais caro. Algumas peças só existem nas mãos de atravessadores, que cobram o que querem”, explica o tenente-coronel Heraldo Luiz Rodrigues, comandante do 1º Grupo de Defesa Aérea. .

Comprem umas duas dúzias de aviões decentes e talvez os membros do Conselho de Segurança parem de rir da gente.

Sábado, Fevereiro 07, 2004

DOPS Hotel

- Tragam o sujeito !

(dois negrões de 1,80m de altura, e 1,80m de bigode, e 1,80m de barriga, adentram a sala trazendo um magrão de óculos, narigudo, a cara do Pedro Cardoso)

- Qual o crime ?
- É comuna, chefe, é comuna.
- Muito bem, seu comunista safado, vermelho é a cor que me dá nojo ! (bate na cara do magrão)
- (geme de dor)
- Você está gemendo de dor ? Você acha que isto foi dor ?
- Vá pro inferno !
- Pois você vai me dar os nomes de todos os seus companheiros, ou nós vamos causar dor de verdade em você, magrelo comuna de merda.
- (cospe na minha cara)
- (bato na cara dele)
- (aiii !!!)
- Traz as agulhas, Sgto. Santos !
- Mas chefe, as agulhas não são mais usadas desde que a Convenção de Genebra foi aprovada e a Lei número 129 de...
- Olha, mas o que temos aqui, um ativista dos Direitos Humanos ? Me dá essa porra desse estojo de costura !
- Agora magrão, você vai sofrer !

Enfio agulhas debaixo de todas as suas unhas. Ele grunhiu, se mijou, chamou pela mãe, cantou metade do hino do Corinthians. Mas falar que é bom, nada.

- É valente né ? Conheço seu tipo. Igual a você já torturei mais de cem, pode vir quente que eu estou batendo !
- Lacaio da ditadura ! Eu posso morrer aqui, mas você vai continuar sendo um lacaio da ditadura !

Magrão se levanta e começa a dançar uma dança estranha enquanto canta : "Vai lacaio ! Vai lacaio !"

- (chuto-lhe o saco)
- (ai)
- Santos, traz os jacarés.
- Mas chefe, choque elétrico está proibido pelo General Golbery desde mil novecentos e ..
- Você andou fazendo um daqueles cursos por correspondência, né ? O que foi agora, Tecnólogo em Direitos Humanos ? Vai pro inferno e busca os jacarés, caralho ! Maldito Instituto Universal Brasileiro.

Prego um jacaré nos culhões e outros nos mamilos. Dou-lhe mais de vinte choques, e o filho da puta não fala.

- Entrega os seus amigos, rapaz, é melhor pra você.
- Vai pro inferno.
- (aplico-lhe uma égua voadora, golpe típico de luta livre)
- (ai!!!!)
- Santos, não vai ter jeito, nós vamos ter que usar aquele truque de novo. Este cachorro não fala, é metido a valente.
- Pois é chefe, esse cara é duro. Tem a bravura de um Tristão, de um Dienekes, de um Guilherme Téo.
- Mas que diabos você anda lendo, Santos ?
- Nada chefe.
- Pega os violões.
- Mas chefe...
- Pega as porras dos violões.

Sgto. Santos entra na sala com dois violões e dois banquinhos. Magrão se retorce na cadeira à espera do pior.

- Então você é valente né ?
- Vai pro inferno, nojento !
- Então vamos ver até onde vai sua valentia.

Sento em um banquinho e afino meu violão. Faço um ou dois exercícios de garganta para ter certeza que o falsete está em dia. Santos tem dificuldades para afinar seu violão. É um débil mental mesmo. Espero que ele não erre os backings. O magrelo vermelho olha com uma certa incredulidade, mas posso cheirar nele o medo do que vai acontecer.


On a dark desert highway
Cool wind in my hair
Warm smell of colitas
Rising up through the air
Up ahead in the distance
I saw a shimmering light
My head grew heavy, and my sight grew dim
I had to stop for the night


-NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO !!! ARRRRRRRRRRRRRRRRRGH !


here she stood in the doorway
I heard the mission bell
And I was thinking to myself
This could be Heaven or this could be Hell
Then she lit up a candle
And she showed me the way
There were voices down the corridor
I thought I heard them say


- Give it to me, Santos ! (Santos entra com o backing vocal)
- (gritos de dor vindos do comunista)


Welcome to the Hotel California
Such a lovely place
Such a lovely place (background)
Such a lovely face


- EAGLES não pelo amor de Deuuuuuuuuuuus ! ARRRRRRRRRRRGH Eu falo ! Eu falo !


Her mind is Tiffany twisted
She's got the Mercedes bends
She's got a lot of pretty, pretty boys
That she calls friends
How they dance in the courtyard
Sweet summer sweat
Some dance to remember
Some dance to forget


- PAREM POR FAVOR ! CORNÉLIO STÁLIN, ALOÍSIO HONECKER, IRMÃO LENIN, VÉIO CHE, ESTÃO TODOS ESCONDIDOS EM UM PORÃO DEBAIXO DO SARDINHAL DA PRAÇA XV ! MAS POR FAVOR PAREM PAREM !
- Não vou parar ! - disse eu, enquanto fazia com o Sgto. Santos o famoso dueto de guitarras no solo de Hotel California.
- MAS EU JÁ FALEI ! EU JÁ FALEI !
- (parará parará parará ! parará parará para páááa)
- O QUE MAIS VOCÊ QUER, EU ... JÁ ... FALEI ...... (desmaia)
- Chefe, tocar "Hotel California" ao vivo está proibido desde 1974...
- Santos, eu vou acabar perdendo a paciência com você !
- Mas chefe..
- "Mas chefe" o caralho, leva esse sujeito pra solitária e deixa ele lá.

Dias depois, o comuna acabou solto. Escreveu um livro sobre a tortura nas prisões brasileiras e ganhou uma coluna no Jornal do Brasil para cagar regras aos sábados. Nunca mencionou o show particular, por vergonha. Preferia que lhe tivessem comido o cu. Quanto a mim ? Eu saí do DOPS, montei uma banda cover dos Eagles, mas que não deu muito certo. Só tínhamos uma música no repertório, e toda vez que a tocávamos, o público desaparecia em 5 minutos.


Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004

Linha do tempo

Leio no Terra que a ex-atriz e ex-deputada Cicciolina (43 anos) mostrou os seios em público na Itália.

Na década de 80, isso provocaria uma corrida a eventuais fotos.
Na década de 90, isso não provocaria reação nem corrida alguma a nada.
Na década de 2000, isso só provoca uma reação : PELO AMOR DEUS, ALGUÉM CORRA PARA IMPEDI-LA !

Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004

Rapidinha

"OAB caça registro de advogado de Beira-Mar"

Link

E eu que nem sabia que o Beira-Mar era advogado !